domingo, 10 de março de 2013

Mulher

(ou:  Negócio, jogo ou passatempo )


Um passo após o outro,
e elas demonstram o que querem,
certas vezes muito do que são.

Algumas arrastam os pés,
outras dão passos largos,
passos cruzados, passos ligeiros,
passos e rebolados.

Pernas,
grossas, finas, musculosas,
escondidas ou à mostra.
Talvez, alguma vez na vida
tatuadas.
Um laço vermelho marcado na pele branca.
Imagem marcada na memória.

Enquanto passo pelos passos
as mãos pendem no ar
e nelas está a natureza na ausência das cores,
ou um rosa meigo, um mais gritante,
um calmo azul, mórbido preto,
desenhos, brilhos,
ou talvez um vermelho intenso.

Nos pulsos
apenas o pulsar,
talvez alguns penduricalhos,
opacos, trançados, tatuados
ou brilhantes em demasia.

Cintura,
pele a mostra,
ou na moda da saia alta,
um cinto largo, talvez um fino.
Cabe até brilho numa vistosa fivela.

Seios,
podem não ser a preferência nacional,
mas é a minha.
Não diz muita coisa,
mas provoca algumas outras.
Perdidos nos panos,
amarrados, acentuados,
alguns reforçados ou criados pelo soutien.
Marcados pelo sol,
escondidos por um colar,
expondo um mapa de finas veias.
Sempre estamos atentos
alguns aproveitam um deslize dos panos para se exibirem.
São fatais.

Ombros,
acomodam as alças que teimam em cair.
Momento excitante.
Remetem às novelas em que as imigrantes italianas
misturavam-se às uvas e no movimento da colheita
as alças de suas vestes deslizavam,
quase mostrando mais pele do que deveria.

Pescoços,
gordos, magros,
compridos, escondidos.
Adornados por belas joias,
ou pela beleza do nada.
Sustentando pontes para os decotes.
Sim, colares que são apenas pontes para
que a observação regresse aos seios.
Vez ou outra os colares se perdem entre os seios,
pingentes, pedras, até moedas brincam de mostra-esconde
e com nossa capacidade de descrição ao admirar-lhes.

Cabelos,
nesta altura já os observamos jogados para frente,
ou surgindo por trás do corpo.

Rosto,
queixo fino, largo,
com uma covinha personalizada,
muitas com uma cicatriz típica da infância.

Boca,
tímida, volumosa, desenhada,
adornada com uma pequena argola,
pintada apenas com brilho,
aparentemente sempre molhadas.
Repetem a morbidez do preto das unhas,
ou um rosado discreto, pinturas estranhas.
Mas quando há vermelho nos lábios...

Sorriso,
qualquer sorriso,
sorriso fingido, treinado, teatralizado.
Sorrisos,
condutores de alegria,
hipnóticos, radiantes.
Eternizados em fotografias.

Olhos,
pesados,
fingidos, atentos, multicores,
distantes, concentrados.
Margeados,
pálpebras, cílios, postiços.
Pupilas dilatadas.
Vermelhos.
Egípcios,
árabes,
hindus.
Sedutores.

Cabelo,
agora caídos sobre os olhos,
presos,
franjas,
cachos,
lisos, crespos, volumosos,
oleosos, sujos, secos,
soltos ao vento.
Composição.
Coloração.
Pretos, castanhos, loiros, ruivos,
multicores.
Cabelo algum, quem sabe ?

Depois então,
a voz, a pele macia,
atitude nas palavras, fluidez nos gestos.
Jogo de sedução.
É isso que as mulheres dão;
oportunidade de negociar,
jogar
ou servir.

Quando nos colocam ao chão com tudo isso,
ou parte disso,
negociam uma troca generosa conosco.
Recebemos o seleto prazer de deitar
e lhes oferecemos os estímulos que podemos para
por momentos
sentirem percorrer o sistema nervoso
o negociado prazer.

Prazer,
para elas há de se ter dedicação,
atenção, disposição.
E certa dose de abdicação e paciência.

Sexo não é um ato, é uma peça inteira.

Dois,
três,
vários.
Pouca luz, muita luz,
luz da lua, raiar do sol.
Bocas,
epiderme,
toques,
cabelos,
olhos,
pernas sobre pernas,
esconder, revelar,
mudar, manter.
Unhas.
Tremidos, sons, suor.
Clímax,
êxtase,
fluir, jorrar, gozar.
Fim,
sem aplausos,
corações acelerados.

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