segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vermelho


Ela se veste com um batom vermelho. 
Mas se veste apenas para se enxergar. 
Com lábios em chamas 
me aquece mas não me alimenta. 

É apenas uma veste. 
Não necessariamente apenas. 
É um símbolo, 
de que a noite será vermelha, 
como pintam seus sonhos e sua bandeira. 
A noite vai ser de todos, 
que ficarão vidrados em seus lábios incandescentes.

E minha noite só será noite 
se ela aceitar a proposta indecente 
de me pintar de vermelho.
Ah quem dera todo o corpo, 
com beijos inconsequentes, 
e até poderia ser em minha camisa, 
para nunca mais ter cor diferente.


(17/07/2012)

sábado, 29 de dezembro de 2012

Barato e doce

Elas têm uma certa mania de deixar um cheiro na sua mão.
Quanto mais comedido seu tato é, mais doce é o cheiro que fica.
Entretanto, mais longe o gozo se avista.
Barato e doce, foi o cheiro da noite. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Chichén Itzá

O mundo não pode acabar sem poesia,
nem que eu faça a minha durante o dia,
talvez à noite, enquanto a lua ainda brilha.

Ele planeja o pedido de namoro,
ela dorme e no máximo sonha com um colar de ouro,
em algum lugar a vida fervilha.

Eu não posso ficar sem poesia,
talvez eu não queira mais pensar em poesia,
saias vem, jeans vão, e eu não saio dessa dicotomia.

Guitarras, palco, canto em coro,
será que ela vai encontrar o outro (?),
o mundo acabará com algum choro.

O pedido pensado,
o choro rezado,
o beijo esperado,
o ato ensaiado,
o mundo acabado,
as linhas sem fim,
e o mundo no fim, enfim.

Amanhã nasce outro mundo,
como poesia,
como tela,
como teatro,
todo dia é dia de acabar um mundo.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cheio de vazio

Só abra a porta se tiver espaço.
Só convide se quiser deixar entrar.
Só alimente se quiser deixar morar.