Ela se veste com um batom vermelho.
Mas se veste apenas para se enxergar.
Com lábios em chamas
me aquece mas não me alimenta.
É apenas uma veste.
Não necessariamente apenas.
É um símbolo,
de que a noite será vermelha,
como pintam seus sonhos e sua bandeira.
A noite vai ser de todos,
que ficarão vidrados em seus lábios incandescentes.
E minha noite só será noite
se ela aceitar a proposta indecente
de me pintar de vermelho.
Ah quem dera todo o corpo,
com beijos inconsequentes,
e até poderia ser em minha camisa,
para nunca mais ter cor diferente.
(17/07/2012)
Elas têm uma certa mania de deixar um cheiro na sua mão.
Quanto mais comedido seu tato é, mais doce é o cheiro que fica.
Entretanto, mais longe o gozo se avista.
Barato e doce, foi o cheiro da noite.
O mundo não pode acabar sem poesia,
nem que eu faça a minha durante o dia,
talvez à noite, enquanto a lua ainda brilha.
Ele planeja o pedido de namoro,
ela dorme e no máximo sonha com um colar de ouro,
em algum lugar a vida fervilha.
Eu não posso ficar sem poesia,
talvez eu não queira mais pensar em poesia,
saias vem, jeans vão, e eu não saio dessa dicotomia.
Guitarras, palco, canto em coro,
será que ela vai encontrar o outro (?),
o mundo acabará com algum choro.
O pedido pensado,
o choro rezado,
o beijo esperado,
o ato ensaiado,
o mundo acabado,
as linhas sem fim,
e o mundo no fim, enfim.
Amanhã nasce outro mundo,
como poesia,
como tela,
como teatro,
todo dia é dia de acabar um mundo.
Só abra a porta se tiver espaço.
Só convide se quiser deixar entrar.
Só alimente se quiser deixar morar.