quinta-feira, 28 de março de 2013

Brincadeira no céu


Ela pensa que se esconde.
Olha ela ali
brilha tanto
que sem querer
se entrega.
Nos entrega
toda sua luz,
encantamento
e sem saber
nos seduz.
Sentinela
de romances mil.

Ela pensa que se esconde
por trás dessas nuvens negras
parece que se esquece
de seu reflexo nas águas turvas
iluminando os pescadores mais corajosos
ou o vazio mais tenebroso.

Beleza do intocável ,
pois quem a toca não mais lhe vê.

domingo, 24 de março de 2013

Dos rabiscos

Vai ver
tudo são fragmentos.
Tudo tem significado
na fragmentação da história
e na interseção das artes.
Nada é beleza.

Tudo é significado de algo
parido pelo tempo
na multidão de personagens.
Vultos de criatividade
sem expressão a mais
que presentear com a significação
de qualquer fragmento passado,
presente
ou contornos de futuro.

Vai ver signifique algo para quem não os viveu.
Isso cabe a quem quer que seja que não seja eu.
O que me cabe é parir.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Sobre estar liso no fim de semana

- Ah, é bom que varia (fica sem beber) - disseram -.
- Ah, mas eu vario. Quando estou com pouco dinheiro vou de Skol, quando a situação está melhor já dá para ir numa Bohemia ou Heineken, quando a situação tá confortável dá para ir com um Vinho legal, quando o negócio tá bom aí cabe aquele Whisky responsa ou aquela vodka da boa.
Mas quando tô liso mesmo, vou para a mesa de algum amigo e bebo o que ele me servir, desde que tenha álcool. Respondi.

domingo, 10 de março de 2013

Mulher

(ou:  Negócio, jogo ou passatempo )


Um passo após o outro,
e elas demonstram o que querem,
certas vezes muito do que são.

Algumas arrastam os pés,
outras dão passos largos,
passos cruzados, passos ligeiros,
passos e rebolados.

Pernas,
grossas, finas, musculosas,
escondidas ou à mostra.
Talvez, alguma vez na vida
tatuadas.
Um laço vermelho marcado na pele branca.
Imagem marcada na memória.

Enquanto passo pelos passos
as mãos pendem no ar
e nelas está a natureza na ausência das cores,
ou um rosa meigo, um mais gritante,
um calmo azul, mórbido preto,
desenhos, brilhos,
ou talvez um vermelho intenso.

Nos pulsos
apenas o pulsar,
talvez alguns penduricalhos,
opacos, trançados, tatuados
ou brilhantes em demasia.

Cintura,
pele a mostra,
ou na moda da saia alta,
um cinto largo, talvez um fino.
Cabe até brilho numa vistosa fivela.

Seios,
podem não ser a preferência nacional,
mas é a minha.
Não diz muita coisa,
mas provoca algumas outras.
Perdidos nos panos,
amarrados, acentuados,
alguns reforçados ou criados pelo soutien.
Marcados pelo sol,
escondidos por um colar,
expondo um mapa de finas veias.
Sempre estamos atentos
alguns aproveitam um deslize dos panos para se exibirem.
São fatais.

Ombros,
acomodam as alças que teimam em cair.
Momento excitante.
Remetem às novelas em que as imigrantes italianas
misturavam-se às uvas e no movimento da colheita
as alças de suas vestes deslizavam,
quase mostrando mais pele do que deveria.

Pescoços,
gordos, magros,
compridos, escondidos.
Adornados por belas joias,
ou pela beleza do nada.
Sustentando pontes para os decotes.
Sim, colares que são apenas pontes para
que a observação regresse aos seios.
Vez ou outra os colares se perdem entre os seios,
pingentes, pedras, até moedas brincam de mostra-esconde
e com nossa capacidade de descrição ao admirar-lhes.

Cabelos,
nesta altura já os observamos jogados para frente,
ou surgindo por trás do corpo.

Rosto,
queixo fino, largo,
com uma covinha personalizada,
muitas com uma cicatriz típica da infância.

Boca,
tímida, volumosa, desenhada,
adornada com uma pequena argola,
pintada apenas com brilho,
aparentemente sempre molhadas.
Repetem a morbidez do preto das unhas,
ou um rosado discreto, pinturas estranhas.
Mas quando há vermelho nos lábios...

Sorriso,
qualquer sorriso,
sorriso fingido, treinado, teatralizado.
Sorrisos,
condutores de alegria,
hipnóticos, radiantes.
Eternizados em fotografias.

Olhos,
pesados,
fingidos, atentos, multicores,
distantes, concentrados.
Margeados,
pálpebras, cílios, postiços.
Pupilas dilatadas.
Vermelhos.
Egípcios,
árabes,
hindus.
Sedutores.

Cabelo,
agora caídos sobre os olhos,
presos,
franjas,
cachos,
lisos, crespos, volumosos,
oleosos, sujos, secos,
soltos ao vento.
Composição.
Coloração.
Pretos, castanhos, loiros, ruivos,
multicores.
Cabelo algum, quem sabe ?

Depois então,
a voz, a pele macia,
atitude nas palavras, fluidez nos gestos.
Jogo de sedução.
É isso que as mulheres dão;
oportunidade de negociar,
jogar
ou servir.

Quando nos colocam ao chão com tudo isso,
ou parte disso,
negociam uma troca generosa conosco.
Recebemos o seleto prazer de deitar
e lhes oferecemos os estímulos que podemos para
por momentos
sentirem percorrer o sistema nervoso
o negociado prazer.

Prazer,
para elas há de se ter dedicação,
atenção, disposição.
E certa dose de abdicação e paciência.

Sexo não é um ato, é uma peça inteira.

Dois,
três,
vários.
Pouca luz, muita luz,
luz da lua, raiar do sol.
Bocas,
epiderme,
toques,
cabelos,
olhos,
pernas sobre pernas,
esconder, revelar,
mudar, manter.
Unhas.
Tremidos, sons, suor.
Clímax,
êxtase,
fluir, jorrar, gozar.
Fim,
sem aplausos,
corações acelerados.

sábado, 9 de março de 2013

But not today


But not today...
maybe outher day.
Anyway, someday. 

"Um jeito de viver na minha cabeça",
quem dera houvesse tempo. 
Mas não hoje, 
quem sabe outro dia.
De qualquer forma, 
mais filme, menos filme
as noites vão passando longe de mim
e eu vou passando perto das paixões que não são minhas, 
da angústias que eu não sofro,
dos amores que não levei ao túmulo. 
E as noites vão passando
para que eu passe longe de mim.

domingo, 3 de março de 2013

No Marco

Azul de cima a baixo,
arte in natura,
cerâmica ou "pixadura".

Rede, pesca e banco
para o velho sofredor,
banco e brisa para os que morrem de amor.

Marco, atraso e cerveja
samba, eletro e blues
cultura viva que lateja
e assim Recife me seduz.