Um relacionamento não é um romance como se pinta nos filmes. Talvez, se racionalizássemos mais, se nos perguntássemos e respondêssemos quais nossas necessidades o outro deve satisfazer e o que podemos oferecer houvessem menos desilusões, procuras incessantes, tempo "perdido".
Penso que um começo é saber e informar o que é condicional e preferencial.
É condicional que seja recíproco. Que ela possa conversar sobre filmes e música. Que ela não tenha complexos com a própria beleza. Que ela seja sincera, principalmente no que diz respeito às minhas atitudes. Que ela seja verdadeira, certos "defeitos" passam a ser aceitáveis se a pessoa age sempre com verdade. Que ela não tenha problemas em estar entre meus amigos, ou se tiver, que saiba fingir muito bem na frente deles. Que não me ligue o tempo todo, de preferência só me ligue por motivos práticos (não gosto de telefone). Que goste de sexo. Que ela entenda minha necessidade de estar conectado (internet) por algum tempo (30 minutos no mínimo) durante o dia. É condicional que não seja uma rotina ou pareça um fardo. É condicional que eu me sinta seguro afetivamente e psicologicamente. Que entenda todo meu eventual engajamento em vários projetos (ao mesmo tempo). Que nunca censure minhas bebedeiras - isso é realmente fundamental -. Acima de tudo que me conheça e quando me conhecer, se ficar, que não pense que eu vá mudar, fique por gostar do que conheceu. Que não seja uma fanática religiosa. Que não seja muito passiva na cama (preguiça na cama não dá tesão). Que seja de Esquerda.
É condicional que deixe o mais claro possível o que quer do relacionamento e de mim - nos poupará tempo e desilusões mais nocivas -.
É preferencial que tenha cabelos longos e naturais. Que goste de boa música. Que não tenha frescurites. Que saiba tornar perceptível a reciprocidade do sentimento. Que beba (álcool) comigo. Que faça sexo oral. Que não seja ateia. Que aprecie poesia. Que leia bons livros. Que saiba o filme certo para assistir e o filme certo para aproveitar o escuro do cinema. Que seja hétero (já namorei uma bissexual e não deu muito certo). Que seja tricolor (torça para o Santa Cruz). Que não seja de Extrema Esquerda nem de Direita. Que goste de ser fotografada. Que goste de fotografar.
Com isso, talvez haja um "até que a morte nos separe".
E talvez sem muito disso também possa haver.
Certo mesmo é que não existem fórmulas.
Texto incitado por: Filósofos questionam a supervalorização do amor romântico
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